

A segunda família, do tenente da polícia Zé Maria (Márcio Vito) - que participa da cena do crime inicial - e de sua filha adolescente Janaína (Lívia Magno); um relacionamento edipiano, confuso, que no início se confunde com marido e mulher. A estória parece ocorrer no presente, logo após o crime, quando ocorre uma sindicância policial interna a respeito do ocorrido na cena e no momento do ato.
A família de Elisa (Dedina Bernadelli) e Fernando (Licurgo Spinola) está no futuro, quando vão à casa do assassinado (ex-marido de Elisa), que está fechada a algum tempo, para, aparentemente, tomar providências quanto aos bens do espólio.
As três estórias estão amarradas de forma que uma complementa a outra, muitas vezes o que ocorre em uma (como por exemplo o toque de campainha da casa) é um gancho para voltar a contar estória de outro núcleo. Entretanto, eles não se encontram em momento algum, mesmo porque não estão em tempos diferentes. Esse é o charme do filme, de contar as estórias, a partir de um acontecimento envolvendo as três famílias, mas sem terem qualquer relacionamento.

A estória demonstra que a violência está dentro de todos nós, faltando um fator motivante para o seu aparecimento. É nosso instinto animal. Na realidade não é a violência, mas um ato violento isolado; como dezenas que ocorrem em nosso dia a dia, no trânsito ou em situações estressantes da nossa rotina. Aquela velha máxima de que a ocasião faz o ladrão é a moral que passa. Que mesmo um cara pacato e trabalhador, carinhoso com a família, pode malsinar o caráter. Em um momento de bobeira e pronto, está feito. E o arrependimento vem em seguida, como no caso, quando Sandra se desespera e vai para a rua pedir socorro à polícia. Sutil, o filme passa por uma linguagem monótonona e confusa, necessitando que o espectador permaneça atento aos acontecimentos para entendê-lo.
Como no começo (assim como no fim), ouve-se o tiro do assassinato, tudo fica escuro e o que aconteceu fica na imaginação de cada um, de quem partiu o tiro mortal, do policial (exímio atirador) ou do rapaz pouco afeito ao crime. Novamente a atenção do espectador a pequenos detalhes desvendam o mistério. Isso não esclareço, vai perder a graça e o suspense... assista o filme, mas preste atenção aos detalhes. Está tudo lá, não precisa interpretar. E bom filme!

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